para a reposição de freguesias
Reposição das Freguesias<br>de Amieira e Alqueva<br>- Exigência não esmorece
As freguesias de Amieira e de Alqueva, do concelho de Portel, distrito de Évora, foram vítimas do processo de agregação/extinção imposto pelo governo PSD/CDS. A população de cada uma delas manifestou de forma veemente, desde o início, a sua oposição participando, a nível local, regional e nacional, em iniciativas de protesto contra este ataque ao Poder Local Democrático. Hoje, as faixas contra a extinção das freguesias continuam afixadas e a população exige a reposição das suas freguesias.
A distância entre estas freguesias é cerca de 10 quilómetros e têm três eleitos no executivo, quando antes da agregação tinham seis. Mauro Henriques, presidente e António Carmo, secretário, testemunham o fracasso e as consequências negativas da situação actual que querem ver revertida.
Mauro Henriques afirma que a CDU cumpriu o que tinha prometido na campanha eleitoral para as eleições autárquicas de 2013 e que era o de manter os edifícios das duas freguesias em funcionamento. Não há transportes públicos entre Amieira e Alqueva, e a ter fechado o edifício da Junta de Alqueva como o governo PSD/CDS queria, a população teria de se deslocar 10 quilómetros, por meios próprios, para resolver os seus problemas.
O presidente refere que «o grande prejudicado é a população porque a gestão de proximidade foi posta em causa por este processo e, apesar do esforço dos eleitos que andam a correr de uma freguesias para a outra, há respostas aos problemas da população que ficam prejudicadas. A relação de proximidade com os eleitos quebrou-se um pouco e uma das graves consequências disso foi o aumento do abandono das freguesias pela população que está a ir viver para outros pontos do concelho».
Democracia mais pobre
Os eleitos afirmam que as pessoas sentem-se abandonadas e referem que «depois de terem encerrado as escolas há seis anos, os jardins de infância e quase o posto médico, não fosse a luta da população que, com a criação e intervenção de uma Comissão de Utentes dos Serviços de Saúde, impediu que isso acontecesse, só restava a Junta de Freguesia que também querem encerrar. Isto é um enorme incentivo ao despovoamento e à desertificação e tem de ser revertido».
«Quem é que não gosta de ter um bocadinho de atenção dos eleitos e da Junta de Freguesia? Mas isso está em causa e verificamos, por vezes, que algumas pessoas se dirigem a nós com algum mau estar, até um pouco agressivas, porque, como não conseguem falar com os eleitos como faziam antes da extinção da freguesia, vão acumulando problemas e quando encontram um eleito "despejam o saco"» diz Mauro Henriques.
A democracia está mais pobre com a situação que se vive por causa da agregação, mas a contestação e a posição da população das duas freguesias mantém-se firme exigindo a reposição das freguesias extintas. Está em curso um abaixo assinado na freguesia nesse sentido e já foram aprovadas moções na Junta de Freguesia e na Assembleia de Freguesia com a mesma exigência.
O presidente diz que os próprios eleitos têm dificuldade em se encontrar com regularidade para resolver os problemas, pois uma reunião por mês não é suficiente. Fala de uma «gestão da Junta por telemóvel», porque como as distâncias são grandes e há problemas que exigem decisões rápidas o recurso a este meio é mais frequente do que o que seria desejável, pondo em causa a gestão de proximidade, participada e em o contacto com a população.
Passados mais de dois anos da agregação referem que «há sinais de perda de identidade da população que começa a não se rever na sua própria terra porque perdeu muitos dos serviços e direitos que tinha e teme perder tudo».
As gentes de Amieira e Alqueva estão firmes na luta pela reposição das freguesias extintas e estão convictas de que nas próximas eleições autárquicas já vão votar na sua freguesia, que voltará a pertencer-lhes.